Por Redação em 30/09/2020

A migração para o mercado livre de energia pode gerar economia mensal de 20% a 25%, afirma Israel Oliveira, executivo de Contas de Soluções da ENGIE. Isso é possível porque o mercado livre permite escolher o fornecedor e negociar valores. Por outro lado, “no mercado cativo, a gente tem que aceitar uma precificação vinda do governo, uma precificação regulada”, explicou Oliveira em live no canal da ENGIE.

Além disso, a migração para o mercado livre garante certa previsibilidade financeira porque “o contrato determina o volume e o preço, e sabe-se que aquele será o valor a pagar enquanto o contrato vigorar”, reforçou.

E foi justamente a questão do custo que influenciou a decisão da AGC Vidros a optar pelo mercado livre de energia, explica João Veiga, engenheiro de Infraestruturas e Meio Ambiente na companhia.

Economia com mercado livre exige planejamento

Contudo, essa economia não acontece por mágica. É necessário planejamento. Durante a live, Veiga ressaltou a importância de dimensionar as intenções futuras da empresa, planejando o consumo para  “não comprar em cima de necessidades, e sim em cima de oportunidades”. Neste sentido, o engenheiro apontou a relevância da atuação da ENGIE, fornecendo inteligência de mercado e um fluxo constante de informações para que a AGC Vidros tomasse “as decisões corretas, no momento correto”.

Para quem deseja migrar para o mercado livre, o primeiro passo é a saída do mercado cativo, explicou Oliveira. Essa saída exige algumas análises e burocracias, como uma comunicação à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), processo que é acompanhado pela ENGIE.

O segundo passo é a compra da energia. Para Oliveira, este é o principal ponto no mercado livre para que se tenha “uma migração com uma economia boa, com resultado bom no fim do mês”. Para tanto, é necessário saber quando e quanto comprar. Assim, aproveitam-se momentos de preço bom e fazendo o contrato com o volume certo para que não sobre nem falte energia.

Após a escolha, é feita a gestão do contrato, acompanhando não só volume e preço. Acompanham-se também questões de sazonalização, alguma eventual parada programada ou reajuste do preço (que, apesar de combinado em contrato, sofre acertos conforme a inflação).

Por fim, um balanço mensal é realizado para verificar se o volume consumido e o contratado estão de acordo. Em caso de sobra ou falta, a ENGIE busca a melhor opção para o cliente.

Futuro do mercado e da geração distribuída

Olhando para o futuro, Álvaro Scarabelot, gerente de Gestão de Riscos e Inteligência de Mercado de Soluções da ENGIE, destacou a reestruturação do mercado livre. Ele lembrou que o limite mínimo de energia mensal exigido para um cliente migrar para o mercado livre está caindo. Atualmente, a carga exigida é de 500 megawatts, mas lembra que há estudos para que essa exigência seja ainda menor. “Em meados de 2026, 2027, já devemos ter a abertura total para a alta tensão”, acrescentou.

Outra figura muito importante na abertura do mercado livre será o comercializador varejista, disse Scarabelot. Isso porque nesse processo, provavelmente, haverá um limite mínimo de demanda, e, que, abaixo dele, será compulsório migrar por meio da figura do comercializador varejista.

Por fim, há a geração distribuída, que segundo o executivo, cresceu nos últimos dois a três anos. E se tornou uma “alternativa muito boa, principalmente para consumidores de baixa tensão e média tensão”.

Para as empresas de menor porte que querem buscar a economia do mercado livre de energia, Scarabelot aponta uma saída. Se a companhia tiver, sob um mesmo CNPJ, unidades que, juntas, somem os 500 MW exigidos, já é possível fazer a migração.