Por Redação em 01/04/2021

Coordenadora jurídica na Jirau Energia, Eliana Cruz nasceu em Fortaleza, Ceará. Se formou em Direito pela Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro, após cursar a faculdade de Filosofia, que precisou deixar quase no final por conta da necessidade de trabalhar.

“O Direito nunca foi um sonho, porque nem dava para ter esse sonho”, admite. “Estudava com bolsa em escola de cidade pequena. Entrei na Faculdade de Direito aos 26 anos e fui uma das primeiras mulheres da família a ter nível superior. Hoje reconheço meus esforços e a oportunidade que tive”, conta.

Na metade do curso de direito, nasceu a filha Julia.

“Minha rotina hoje se divide, como a de muitas mulheres, entre os afazeres de casa e da família e o trabalho. É exaustivo e recompensador ao mesmo tempo, mas não me enquadro e nem concordo com a ideia romântica da mulher guerreira, super heroína, eu sou é sobrecarregada mesmo!”, afirma.

“Tenho imensa satisfação em realizar meu trabalho como advogada e ver minha filha crescendo junto com minhas conquistas, mas a rotina é pesada e faço muitas concessões para isso funcionar, além de precisar de uma rede de apoio eficiente, pois mesmo contando com um companheiro presente e participativo, preciso terceirizar tarefas e conto com outras mulheres, inclusive, pra conseguir dar conta”, reforça.

Jirau foi sua primeira experiência na carreira jurídica.  “Cheguei na Jirau Energia em 2011, como estagiária”, lembra. “Antes, trabalhei como assistente administrativa, recepcionista de salão de beleza, vendedora, rodomoça”, conta.

Eliana conta que Jirau foi sua grande escola. “Aqui tive exemplos profissionais que contribuíram imensamente para meu crescimento na empresa, entre estes, mulheres fortes e competentes nas quais me inspiro diariamente”, reforça.

A advogada reconhece seu papel na companhia. “Me orgulho de poder contribuir com esse imenso empreendimento e vejo meu crescimento como o resultado de muito trabalho e dedicação, além do apoio que sempre tive dos meus gestores e toda a equipe de Jirau”, afirma.

“Mulheres precisam ter direito de escolha”

Para Eliana, ainda há muito a transformar já que o desemprego, os salários menores e a ocupação de cargos precários ainda têm a mulher como maioria, embora as mulheres apareçam também como as mais instruídas. “As mulheres normalmente precisam demonstrar e trazer uma capacitação ainda maior para ocupar os mesmos cargos que os homens, os mesmos salários”, observa. “E isso não é minha opinião, são fatos!”, afirma.

A advogada observa que, mesmo sendo ponto de partida crucial para as mudanças no ambiente corporativo, as políticas adotadas pelas empresas não transformam sozinhas.

“Há um longo e árduo caminho de aculturamento e mudança de comportamento do mercado de trabalho, que pode ter melhorado para uma parcela de mulheres, as mais privilegiadas ou que possuem meios de atender aos padrões para se enquadrar ou podem se dar ao luxo de enfrentar tais padrões, mas não vejo mudança para a maior parte, que continua acumulando trabalho doméstico, sendo a cuidadora habitual e, por isso, a segunda opção na hora da seleção em muitos lugares”, avalia.

Ela explica que não é o caso de privilegiar ou criar mecanismos artificiais que coloquem as coisas em equilíbrio temporário ou aparente, mas em disseminar uma cultura de igualdade de gênero e respeito às diferenças, possibilitando inclusive que as mulheres possam ter acolhimento para exercer papéis de mãe, cuidadoras ou donas de casa, se assim quiserem, sem que isso seja uma dívida com suas carreiras.

“Precisamos ter direito de escolha”, afirma. “Não depende só das empresas, do mercado de trabalho, mas de toda a sociedade. O empoderamento, contudo, a meu ver, é um processo interno e pessoal, afinal o poder já está nas pessoas, mas que depende de exemplos, de oportunidades e estímulos para se materializar em comportamento, atitudes e posicionamentos efetivos. Não sufocar esse poder latente com padrões é a melhor forma de fazê-lo crescer em cada uma de nós mulheres “, afirma.

“É privilégio estar em uma companhia que se preocupa com isso e que avança em discutir e ampliar a visibilidade feminina”, afirma. “Mas, como disse, é um privilégio. Mais um com o qual me deparo na vida de oportunidades que pude ter, a muito custo. Mas essa não é a realidade de muitas mulheres, especialmente as negras e as mais pobres”, conclui.