Por Redação em 27/01/2021

Se grandes navios à vela cruzando os mares parecem uma cena digna de livros de história, o cenário pode estar para mudar. Em um mundo cada vez mais preocupado com reduzir as emissões de poluentes, empresas buscam soluções que impulsionem os navios sem poluir tanto. E equipamentos similares às velas são uma das saídas com fontes renováveis para a propulsão da navegação.

A mudança é importante uma vez que, segundo dados divulgados em agosto de 2020, relativos a 2018, o transporte por navios respondia a 2,89% das emissões globais de CO2. As informações são de um estudo da Organização Marítima Internacional, uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU).

Meta: emissão de carbono por navios deve cair à metade até 2050

Além disso, a agência estabeleceu uma meta de redução de emissões para este tipo de transporte. Tendo como referência o ano de 2008, o objetivo é reduzir as emissões em 40% até 2030, chegando a 50% de diminuição em 2050.

O uso de estruturas similares às velas é a proposta da sueca Wallenius Marine. Batizado de Oceanbird, o projeto tem cinco “velas” modernas com 80 metros de altura cada e similares a asas de aviões. Elas giram 360° para melhor captar o vento. E são capazes de reduzir em 90% as emissões do navio, de acordo com a empresa, e ele viaja a até 10 nós (18,5 km/h).

Além disso, as “velas” são telescópicas, ou seja, é possível recolhê-las, reduzindo seu tamanho. Assim, a altura total do navio (acima da linha d’água) passa de 105 metros para 45 metros.

E sua capacidade de carga também é considerável. Com 200 metros de comprimento e 40 metros de largura, ele pode transportar até 7 mil carros. E conseguirá cruzar o Oceano Atlântico em 12 dias. Atualmente, a empresa vem testando o modelo e espera começar a receber pedidos ainda em 2021, com o lançamento oficial em 2024.

velas

Empresa desenvolve projeto de navio autônomo

Entre as opções de propulsões renováveis para a navegação está a eletricidade. A holandesa Port Liner, por exemplo, já desenvolveu dois conceitos deste tipo, um dos quais com navegação autônoma.

Enquanto isso, a Heineken planeja usar navios elétricos para o transporte de suas cervejas dentro de seu país natal, entre a fábrica e o Porto de Rotterdam. Isso será possível graças a uma parceria com a Zero Emission Services (ZES), consórcio cujos integrantes são ENGIE, ING Bank, Wärtsilä (de tecnologia marítima) e a autoridade do Porto de Roterdã. Além da cerveja, os navios carregam contêineres que servem como baterias e podem ser trocados por outros com carga completa em alguns pontos ao longo dos canais.

Este não é, contudo, o primeiro passo da cervejaria em direção a um transporte com menos emissão de carbono. Em 2019, a Heineken começou a usar um navio 100% a biocombustível sustentável.

Hidrogênio verde é uma das opções renováveis para a navegação

Outro combustível que pode ser renovável — a depender da fonte de energia para sua produção — é o hidrogênio. A Hydrogen Europe o aponta como uma possibilidade ainda distante para os navios, porque “nenhuma célula de combustível foi feita em escala para nem usada em grandes navios mercantes”. Contudo, a organização reconhece que é possível usá-las, assim como vem sendo feito com aviões, para o suprimento de energia elétrica a bordo.

Algumas empresas, no entanto, trabalham para mudar isso. A agência Reuters cita, por exemplo, o grupo ABB, que trabalha em células de combustível para navios de passageiros e cargueiros.

Outro entrave é o preço. Estimativa da empresa de gestão de risco DNV GL aponta que o hidrogênio verde custa até 8 vezes mais que o combustível com baixo nível de enxofre. Embora haja tipos mais baratos de hidrogênio, eles vêm de combustíveis fósseis. Eles são, portanto, poluentes.