Por Redação em 02/06/2021

A ENGIE deve assumir o papel de empresa “net zero carbon” até 2045, de acordo com a CEO global da organização, Catherine MacGregor. Em sua apresentação no CEO Conference Brasil, evento promovido pelo Banco BTG Pactual com o objetivo de discutir os desafios e oportunidades no cenário econômico nacional, a executiva destacou os objetivos e propostas da empresa para o clima, ressaltando que as energias renováveis e a sua expansão, no Brasil, são essenciais para o cumprimento das metas de descarbonização.

“Estamos em um novo ciclo de crescimento e queremos incrementar o uso de energias renováveis”, disse ela. “O nosso sistema de energia precisa ser confiável e, ao mesmo tempo, ter flexibilidade e equilíbrio de preços. A sociedade demanda o apoio de políticas públicas para conseguir arcar com o custo da transição energética. A descarbonização é essencial, mas a energia também precisa ser acessível à população”, ressaltou.

Hidrogênio tem papel importante na descarbonização

De acordo com a CEO da ENGIE, a empresa projeta ampliar a sua capacidade de geração de energia elétrica, que atualmente é de 31 gigawatts (GW) em âmbito global, para 80 GW até 2030, apostando em fontes renováveis. “Queremos chegar ao patamar de 50 GW em 2025 e 80 GW em 2030”, destacou Catherine.

Para tanto, ela afirma que a empresa investirá em um mix de tecnologias renováveis, incluindo fontes eólicas onshore e offshore, além da solar. “Estamos na fase de 3GW/ano e, no período de 2022/25, queremos chegar a 4 GW/ano. Logo após 2025, chegaremos a 6 GW/ano”, afirmou.

Segundo a executiva, as opções para atender tais metas são as fontes renováveis já consolidadas, como hidrelétrica, eólica e solar, além de novos investimentos em geração de energia a partir de hidrogênio, principalmente.

“O hidrogênio assumiu um papel essencial no processo de descarbonização. Estamos desenvolvendo novas plantas para produção e, na Europa, esse projeto está mais próximo de se concretizar”, disse. Para o restante do globo, a CEO avalia serem necessárias novas soluções que reduzam o custo e viabilizem a introdução da tecnologia. Nos negócios globais da companhia, a energia hidrelétrica responderá por 18%, eólica onshore por 32%, a solar 22% e a eólica offshore 8%.

ENGIE planeja evitar 45 milhões de toneladas equivalentes de CO2 até 2030

A proposta da ENGIE é ajudar os clientes a evitarem a emissão de 45 milhões de toneladas equivalentes de CO2 até 2030 em suas operações, priorizando as fontes renováveis. “Estamos assumindo um compromisso ambicioso, que irá beneficiar o clima e a descarbonização. Vamos investir maciçamente em energias renováveis e redes descentralizadas de baixo carbono, adaptando nossa estrutura a gases renováveis. Estamos posicionados para assumir o compromisso de atingir o Net Zero Carbon até 2045, em relação a todas as nossas emissões diretas e indiretas”, ressaltou. “Vamos reduzir todas as emissões que forem possíveis e compensar somente aquilo que não for possível reduzir”.

Somente no ano de 2020, os produtos e serviços da ENGIE ajudaram os clientes a evitarem e reduzirem a emissão de 21 milhões de toneladas equivalentes de CO2.

Vale lembrar que a ENGIE desenvolveu uma metodologia exclusiva para calcular a descarbonização de atividades dos setores público e privado, que foi divulgada e tornada de uso público, para estimular o desenvolvimento de ações nessa área.

Brasil é essencial para a estratégia da empresa

Catherine destacou a importância do Brasil nos negócios globais da ENGIE. “As usinas brasileiras representam cerca de 16% de toda a nossa capacidade e 90% delas geram energias renováveis, com redução na emissão de carbono. Além disso, temos várias opções de mobilidade verde e desenvolvimento do mercado de gás, inclusive com a aprovação da nova Lei do Gás”, ressaltou. Isso é, segundo ela, considerado um modelo para a atuação global da empresa.

“Já estamos no Brasil há 25 anos e acreditamos em um futuro brilhante. Assim, estamos satisfeitos com o apoio do governo aos negócios, especialmente durante o período de incertezas decorrente da pandemia, evitando quebra contratual. O Brasil continuará incluído nas prioridades da ENGIE”, ressaltou.