Por Redação em 13/11/2020

Transição energética, ESG e diversidade são temas que têm forte conexão forte entre si. E, hoje, cada vez mais esses temas, mais do que estarem na estratégia das grandes companhias, são as próprias estratégias. Nesse contexto, a pandemia acelerou e aprofundou o movimento que já vinha acontecendo nas grandes corporações. Esses temas foram debatidos no painel Transformação Energética: ESG e diversidade,  no Brazil Windpower.

A consultora sênior de Diversidade e Cultura da ENGIE, Erika Zoeller, destacou o papel da diversidade na transição energética. Ela citou estudos que mostram que uma empresa com um board mais diverso toma decisões melhores na maior parte das vezes do que uma administração mais uniforme. Ela alerta, contudo, que o tema ainda está restrito a grandes corporações. “A falta de mulheres no board está segurando a transição energética”, comentou.

Erika ressaltou a importância de mostrar que mulheres, por exemplo, podem atuar tanto em cargos de liderança quanto nas áreas operacional e técnica das empresas. Segundo Erika, os estereótipos formados nas famílias, muitas vezes, afastam as mulheres das profissões STEM – sigla em inglês para ciências, tecnologia, engenharia e matemática. 

A consultora contou que em uma certa ocasião a ENGIE criou um banco de dados voltado voltado exclusivamente para engenheiras mulheres. Ainda assim, diversos homens se candidataram à vaga, o que é um reflexo de como os homens se enxergam, diferentemente das mulheres.  “O que vemos é que se um homem tem 60% dos requisitos para uma vaga, eles se candidatam. As mulheres às vezes têm 100% dos requisitos e ficam de fora”, contou.

O tema da diversidade também está presente no processo regulatório, de acordo com o assessor da Diretoria da Aneel, Daniel Vieira. Ele mencionou que todas as regulamentações da Aneel passam por uma análise de impacto regulatório, que pode incluir aspectos relevantes como questões ambientais, sociais e de diversidade. 

ESG e diversidade na mesma agenda

Além da diversidade, os participantes discutiram a importância do ESG – sigla para meio ambiente, responsabilidade social e governança – nas corporações. Hoje, o tema está ligado à percepção de risco das empresas, sendo um importante componente da avaliação de fundos de investimentos. “Fundos buscam mitigadores de risco e também aumento de retorno por oportunidades abertas a atividades ligadas ao meio ambiente”, frisou Gesner Oliveira, professor titular da FGV EASP. Empresas, segundo ele, precisam estar atentas às métricas do GRI, SAASB e GRC – órgãos internacionais de sustentabilidade – e incorporá-las em suas estratégias.  

Reflexos positivos da energia eólica

Na perspectiva do ESG, Gesner Oliveira apresentou um estudo que avalia os impactos positivos da construção de eólicas no aspecto social. O estudo apresentou os seguintes resultados:

  • R$ 67 bilhões em investimentos em usinas eólicas geraram R$ 262 bilhões em valor agregado. 
  • Esse mesmo investimento gerou quase 500 mil empregos, R$ 45,2 bilhões em massa salarial e R$ 22,4 bilhões de tributos arrecadados.
  • Pagamentos de arrendamentos totalizaram R$ 165,21 milhões para famílias que vivem em terras onde foram construídas usinas eólicas e que esses arrendamentos podem levar a uma expansão na produção da ordem de R$ 524,6 milhões. 
  • Municípios com parques eólicos perceberam aumentos no IDHM em 20,19%, sendo 44,89% em educação, bem como outros itens como redução da desigualdade e aumento no índice de atendimento de água.
  • As eólicas contribuíram ainda na questão da regularização fundiária. 

Eólicas

A ENGIE Brasil tem uma capacidade instalada eólica de aproximadamente 1.000 MW, distribuídos em quatro conjuntos eólicos – Campo Largo, Uburanas, Trairi e Tubarão. Essa capacidade é suficiente para alimentar 1,3 milhão de famílias. Além disso, está construindo o complexo Campo Largo 2, que vai adicionar mais 361,2 MW ao portfólio da empresa no Brasil.

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