Por Redação em 06/01/2021

A União Europeia (UE) vai considerar o hidrogênio que usa energia nuclear em sua produção como hidrogênio de “baixo carbono”. A afirmação é de Paula Abreu Marques, head da unidade de renováveis e de políticas de captura e armazenamento de carbono da Comissão Europeia — o órgão executivo da UE.

Enquanto a queima do hidrogênio libera apenas água, sua produção precisa de energia. Essa fonte faz toda a diferença na hora de avaliar se ele é, de fato, sustentável. Se a produção inclui o consumo, por exemplo, de combustíveis fósseis, ele não é um combustível limpo.

“Se você tem equipamentos de eletrólise conectados a usinas nucleares, isso poderia ser classificado como hidrogênio de baixo carbono”, afirmou Marques em sessão do Parlamento Europeu, segundo o site EuroActiv.

Plano da UE para hidrogênio não menciona energia nuclear

Ela acrescentou que o hidrogênio de baixo carbono “inclui hidrogênio a partir fontes fósseis com captura de carbono”. E também aquele que usa energia com ciclos de vida de baixo carbono, diz o site.

No entanto, isso não quer dizer que este hidrogênio é verde. O hidrogênio verde é aquele cuja produção usa energias renováveis. Quando essa energia é de fonte nuclear, ele ganha o nome de hidrogênio roxo. Na comparação com o hidrogênio cinza — que usa gás natural e é o mais comum hoje em dia —, o roxo emite menos carbono.

Além disso, a afirmação de Marques também não significa que o bloco vai buscar esse tipo de fonte. Em julho, a UE divulgou um documento com sua estratégia para o hidrogênio que não cita a energia nuclear.

O hidrogênio é considerado um fator importante para a transição para uma economia de baixo carbono. O preço dos equipamentos para produzir hidrogênio verde, contudo, ainda é um entrave à sua adoção mais ampla. Mas países e empresas vêm buscando mudar isso. A França, por exemplo, incluiu investimentos em hidrogênio como parte de seu plano de recuperação pós-Covid.