Por Redação em 14/07/2021

A entrada em vigor da precificação da energia no mercado de curto prazo em base horária, ou PLD horário, completou seis meses no início de junho. Embora ainda não tenha um ciclo completo de um ano para análise, já foi possível chegar a algumas conclusões. Por exemplo, consumidores livres e geradores sentiram diferenças – para mais e para menos – no preço da energia em relação ao PLD Semanal.

Veja o que você vai encontrar neste artigo. Navegue pelo menu abaixo para ir direto ao trecho desejado:

O que é o PLD Horário?

PLD é a sigla para Preço de Liquidação das Diferenças. Ele é o preço utilizado para liquidar a diferença entre recursos e requisitos de cada agente no Mercado de Curto Prazo (MCP). Ele é calculado de forma similar ao Custo Marginal da Operação (CMO), usado para definir quais usinas serão ligadas e desligadas, de modo que haja um equilíbrio entre custo de produção e segurança futura do armazenamento de energia.

Desde janeiro de 2021, o PLD passou a ser calculado para cada hora do dia seguinte, por um sistema matemático estatístico chamado Dessem. Nele, o Operador Nacional do Sistema (ONS) insere informações, como previsão climática, afluências, força dos ventos, nível de carga e nível de reservatórios e o sistema calcula o preço da energia.

Como o PLD impactou o consumidor

Quando o consumidor livre tem um déficit de contratação de energia elétrica, ou seja, consumiu mais energia do que contratou, ele precisa compensar essa falta. Ou ele compra mais energia de alguém ou deixa que que esse volume de energia a menos seja incorporado na sua liquidação financeira na CCEE valorada ao PLD, agora de forma horaria. Nesse caso, ele terá um débito a pagar à CCEE pela parcela de energia consumida acima da energia contratada. Isso é o que se chama ficar exposto ao PLD.

Nesse período de cinco meses, consumidores livres expostos ao PLD perceberam a mudança no cálculo de formas diferentes. Agentes que têm consumo maior de energia durante a madrugada, quando a energia é mais barata, perceberam um desconto na sua liquidação na CCCE, pois o PLD deste horário em relação ao preço médio do dia tende a ser menor.

Já os consumidores que têm um maior nível de carga durante o dia – por exemplo, um consumidor comercial – perceberam um aumento do preço da energia com o PLD Horário. De dia, normalmente o preço da energia é mais elevado que a média diária.

Em todo o caso, é importante que o consumidor não fique exposto a essa variação de preços – o PLD Horário pode chegar a R$ 1.197,87. Nesse caso, ele tem algumas opções:

  • Consumir em um horário no qual a energia é mais barata.
  • Comprar instrumentos financeiros que simulem a modulação de carga e ofereçam previsibilidade de custo de energia, mitigando a exposição de energia à variação de preço ao longo do dia.
  • Fechar contratos de compra de energia que já venham com esse derivativo embutido e nos quais o comercializador/gerador assume o risco da variação de consumo durante o dia, Avaliar a viabilidade do uso de tecnologias como baterias de armazenamento de energia.

Geradoras também sentiram diferenças

No caso da geração, acontece a mesma coisa. Usinas que têm uma operação maior durante à noite e a madrugada, quando a carga é menor, perdem valor contra o PLD horário.

Por outro lado, as usinas hidrelétricas, por exemplo, ganham valor pela existência de reservatórios, que permite que elas modulem sua produção de acordo com a carga do sistema é maior.

“O PLD horário veio para dar o sinal de valor correto para geradores e consumidores. Por exemplo, ao analisar esse perfil de preços, uma indústria pode decidir migrar sua produção para a parte da noite e provocar uma redução no custo da energia comprada. O PLD horário também dá um sinal econômico importante para a geração, beneficiando fontes que atendam melhor a determinados perfis de carga. Um exemplo é a energia solar para geração durante o dia”, conta o gerente de Portfólio da ENGIE, Sandro Saggiorato.

Nesse contexto, o novo modelo de preço também beneficia a expansão hidrelétrica, fonte renovável que responde por mais de 60% da capacidade instalada do país. Além disso, pode viabilizar novas tecnologias, como baterias, usinas híbridas ou, no futuro, as hidrelétricas reversíveis, aquelas que funcionam com um sistema de bombeamento de água para o reservatório principal em momentos de energia muito mais barata.

PLD horário viabiliza novos produtos

Como previsto, o PLD Horário está viabilizando a criação de novos produtos no mercado de energia. É o caso do Swap de Modulação para Geradores, lançado recentemente pela ENGIE. O produto confere a segurança de um hedge contra variações de preço horário ao trocar sua curva com perfil de geração por uma curva constante (flat). Com isso, a empresa usa a sua expertise para apoiar a expansão das fontes renováveis no país. Futuramente, o produto pode ser aberto também para consumidores.

Qual é a diferença entre o CMO e o PLD Horário?

Existem algumas diferenças na forma de calcular o CMO e o PLD horário. Uma delas é a eliminação das restrições de transmissão de energia interna em um submercado no caso do PLD. Outra diferença é que geração de energia por uma usina em fase de testes não é considerada para cálculo de PLD. Além disso, o PLD tem limites máximo e mínimo de preços horários e mensais.