Por Redação em 22/01/2021

O peso da energia no preço final dos produtos pesa nas decisões das empresas de investir em soluções que ajudem a reduzir a conta de energia com o novo PLD horário. Essa é a opinião de Fillipe Soares, diretor técnico da Associação dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace). A nova forma de cálculo do preço da energia no mercado de curto prazo entrou em vigor em 1º de janeiro. Mas ela vale apenas para o mercado livre. Esse mercado, que vive uma expansão, responde por 30% do consumo de energia do país. E a maior parte de seus agentes é da indústria, explica Soares.

O PLD horário é o cálculo para contas de energia do mercado livre. O que este mercado representa no país?

O mercado livre está em expansão e, hoje, responde por 30% do consumo total de energia do país. No mercado livre, a gente dá destaque ao consumidor industrial, que pode ser desde a indústria de base, uma grande indústria que está conectada diretamente à rede de transmissão de energia. Então, podemos ter uma grande planta química, um produtor de alumínio, uma siderúrgica. Ou até mesmo pequenos consumidores industriais que estão conectados em menores tensões da rede de distribuição.

Esses consumidores industriais, segundo dados de 2019, respondem por mais de 85% do consumo no mercado livre. Os outros 15% são comerciais ou utilities, ou seja, incluem de redes de mercados, condomínios a até mesmo prestadores de serviço ligados a infraestrutura, como empresas de saneamento e telefonia.

Em que as empresas devem investir para se adaptarem ao novo cenário?

O primeiro investimento que as empresas vão ter que fazer vai ser em investimento de mercado, entender seu perfil de carga e o comportamento do perfil nesse novo cálculo de preço. Aí pode ser tempo, pode ser consultoria, pode ser com time próprio ou com ajuda de outras empresas especializadas de entender esse perfil de carga. Entender se a carga está concentrada no horário de pico. Se ela estiver, o jeito que eu estou comprando energia pode mudar. Na hora em que eu for cotar o meu novo contrato de energia, pode haver diferenças relevantes entre um contrato flat e um que siga o meu perfil de carga.

Antes, a diferença entre o maior e o menor preço no PLD semanal era de até 5%, no geral. Mas, na operação sombra, vimos que a diferença entre o preço mais alto e o mais baixo pode chegar a 10%. Portanto, você já tem um indício de que o primeiro passo é investir nessa inteligência de mercado. Depois disso, você pode seguir para investimentos de maior sofisticação, podendo levar até à automatização de processos em função da energia elétrica. Você pode automatizar processos que acabem acompanhando a curva de preços. A gente já vê isso em mercados mais maduros.

As empresas já fazem medições? Como está este cenário hoje?

Quem está no mercado livre, por ser industrial e alta tensão, já tem um nível de medição diferenciado, com os padrões de medidores da alta tensão. Mas, se ele está no mercado livre, ele está, obrigatoriamente, na CCEE. Então, ele tem acesso a sistemas de telemedição que a própria CCEE usa. Por isso, todo consumidor do mercado livre tem medidor com memória de massa que coleta essas informações e manda para a CCEE em um processo de contabilização.

Portanto, em termos de hardware, você tem um medidor com forma de massa. Porém, se cada consumidor está usando e otimizando essas informações, seja porque ele coleta essa memória de massa e faz uma análise diretamente ou por meio de uma consultoria, ou se essa informação está indo diretamente para a CCEE, isso depende do perfil de cada empresa. Mas, em termos de hardware, há 20 anos, quem está no mercado livre já tem um medidor moderno que permite fazer uma gestão mais ativa.

O que pesa nas decisões das empresas para investir ou não em soluções para melhorar os gastos com energia no PLD horário?

O que vai calibrar o total do investimento é a importância, a relevância do custo da energia no produto final. Mas, você ter primeiro um investimento em medição dos processos e uma integração. Porque, quando você está avaliando os processos, não dá para falar só da energia. O consumo de energia é uma consequência. Você está sempre otimizando a produção industrial em termos de unidades produzidas, otimização da sua cadeia de fornecimento e até mesmo otimização de estoque.

A gente vive um mundo em que a competitividade é muito ligada ao lean manufacturing, ou seja, você otimizar cada etapa do processo. E a a energia elétrica como insumo do processo produtivo vai ser mais um item nessa equação. Assim, quanto mais relevante a energia elétrica for no custo do produto final, mais vai incentivar a que os consumidores industriais façam investimentos para otimizar a contratação desse insumo.

O PLD horário vai dar novos incentivos para que esses consumidores avaliem qual impacto a energia vai ter no seu processo produtivo. E que, além disso, identifiquem formas que podem resultar em investimentos para reduzir esse custo de produção. Seja deslocar horário de produção, tirando de uma faixa mais cara para a madrugada, mas aí é preciso otimizar o turno de funcionários. Então só medindo e avaliando será possível implementar um projeto desses.

PLD Horário

O PLD Horário entra em vigor em 1º de janeiro de 2021. A ENGIE presta um serviço especializado em gestão de energia, visando identificar as melhores oportunidades no mercado de energia. Nossas soluções integradas abrangem desde o planejamento energético, orçamento, planejamento de suprimentos em energia, consultoria econômico-financeira e regulatória em projetos de autoprodução de energia e sistemas de gestão.

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