Por Redação em 01/12/2020

A nova na forma de cálculo do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) — que entra em vigor em 1º de janeiro — é o centro de um evento promovido pela ENGIE. A ideia é debater as oportunidades de ganhos para os consumidores e empresas de energia que vêm com o PLD horário. No primeiro dia da Maratona PLD Horário, o tema foi “Aspectos regulatórios e o que muda no mercado”. O consenso entre os debatedores é que, com o PLD horário, o consumidor precisa estar atento ao seu perfil de consumo e ao tipo de contrato, uma vez que esses dois fatores vão ter impacto direto no preço a pagar.

“Consumidores, geradores e comercializadores precisarão ficar atentos à modulação de seus contratos, de acordo com seus consumos, para evitar a exposição (aos efeitos do PLD horário)”. A avaliação é de Talita Porto, vice-presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Modulação do contrato ajuda a reduzir impacto do PLD horário

Ela explica que modulação é energia contratada hora a hora. “Hoje, muitos declaram ‘flat’, sem variação, porque é igual (o preço) no dia inteiro. Mas, visto que o preço vai oscilar dentro do mesmo dia, é necessário ficar atento à modulação”, acrescenta.

Alexandre Becker, coordenador de Projetos e Mercado de Soluções da ENGIE, destacou a intensidade da diferença dos preços. Simulações que acompanham o movimento atual do setor elétrico indicam como podem ficar os preços quando o PLD horário entrar em cena. E, segundo Becker, em alguns momentos, a diferença entre o horário da madrugada (com energia mais barata) e o pico pode ser superior a R$ 100.

“Clientes que não têm modulação (no contrato) conforme seu perfil de carga podem vir a ter impacto no custo com energia elétrica (após o PLD horário). Esse custo não necessariamente vai se dar na fatura do fornecedor, mas sim na liquidação da CCEE, que vai apurar hora a hora o contrato do cliente e o consumo que ele realizou”, explica Becker.

Efeitos do PLD horário variam, também, conforme o setor

Ele também lembra que esse efeito vai variar conforme o setor de atividade do consumidor. Segundo Becker, em uma simulação com base em dados de 2019 e considerando o consumo de 1MW médio em um contrato flat, o comércio deve ser o que mais sentirá o impacto. Isso porque o setor consome mais em momentos mais caros — o fim da manhã e início da tarde. Neste caso, o impacto pode chegar a R$ 9,43 por MWhora na região sudeste. Por outro lado, há casos como o do setor de extração de minerais metálicos em que pode haver ganho, porque o consumo mais alto é fora de horários de pico.

Além desse possível ganho financeiro em alguns setores, outro benefício do PLD horário é a redução dos encargos, aponta Gabriel Aurélio Oliveira, coordenador de Preço e Gestão de Risco da ENGIE.

“Quando você reflete todos os custos no preço, não há a necessidade de cobrar um encargo adicional ao consumidor”, observa Oliveira. Além disso, “a redução de encargos afeta todos os consumidores, inclusive os cativos, que nem estão no mercado de atacado”.

Talita, da CCEE, usa o cenário da greve de caminhoneiros em maio de 2018 para exemplificar esse efeito. Na sexta-feira anterior à paralisação, definiu-se o preço da energia para a semana seguinte. Se essa análise indicou o acionamento de termelétricas, mais caras, os consumidores tiveram de pagar um encargo para cobrir esses custos. No entanto, com a greve, o consumo de energia caiu, mas o preço se manteve, pois era semanal.

No caso do PLD horário, isso não aconteceria, pois a queda na demanda entraria no cálculo imediatamente e já refletiria no preço do dia seguinte.


Como se proteger das variações do novo cálculo

Para quem busca proteção contra os efeitos do PLD horário, Becker lista quatro possíveis soluções. “O que vai dar menos trabalho para ele fazer é a aquisição de uma energia personalizada”. Ou seja, o consumidor envia sua curva de consumo ao gerador ou comercializador, que vai avaliar e oferecer um produto que se adeque àquele perfil. O especialista também acredita que haverá a oferta de preço personalizada conforme o ramo e o perfil de consumo.

“Uma segunda opção é a autoprodução, com destaque para a energia solar, porque ela vai produzir justamente nos momentos de maior pico de consumo. Então o cliente pode instalar um sistema de geração próprio, local ou remoto, de maneira que ele faça a redução da curva de consumo dele naqueles horários com PLD mais alto”. Além disso, acrescenta que cliente que é produtor ainda tem vantagens como a redução de encargos e tributos.

“Outra possibilidade é a resposta à demanda, ou seja, o gerenciamento da carga. Para esse tipo de solução, pode ser necessária medição setorizada”, observa. Assim, uma análise permite identificar setores que possam passar por uma inversão de horário, aproveitando momentos de preço mais baixo.

“A questão é avaliar todos os aspectos em paralelo, como aspectos trabalhistas. Você vai ter que trocar um setor inteiro de turno, vai ter custo maior com folha de pagamento no horário da madrugada, então tem que fazer uma avaliação”, ressalva.

“Por último, há o armazenamento de energia. É uma possibilidade de você ter um sistema de baterias, por exemplo, carregá-las no horário de preço mais baixo e descarregá-las no horário de preço mais alto”, conclui.

Mais debates na quarta-feira

Nesta quarta-feira (2/12), o tema das discussões será “Soluções para atendimento da demanda”. Os debates começam às 9h. Saiba mais no site do evento. A transmissão acontece no canal da ENGIE no YouTube.

PLD Horário

O PLD Horário entra em vigor em 1º de janeiro de 2021. A ENGIE presta um serviço especializado em gestão de energia, visando identificar as melhores oportunidades no mercado de energia. Nossas soluções integradas abrangem desde o planejamento energético, orçamento, planejamento de suprimentos em energia, consultoria econômico-financeira e regulatória em projetos de autoprodução de energia e sistemas de gestão.

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