Por Redação em 03/11/2020

O PLD Horário entra em vigor a partir de 1º de janeiro. Em entrevista exclusiva ao Além da Energia, Rodrigo Sacchi, Gerente Executivo de Preços, Modelos e Estudos Energéticos da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), afirma: “O PLD Horário é uma das principais evoluções na formação de preços desde que o mercado de energia se abriu”.

Para Sacchi, previsibilidade e estabilidade nos mercados é fundamental. “Um sinal de preço cada vez mais claro contribui para um ambiente de negócios mais produtivo”, avalia.

Segundo ele, a divulgação dos resultados da operação sombra, que ocorrerá até dezembro de 2020, deve auxiliar as empresas na identificação dos impactos em seus negócios, possibilitando a adequação contratual ao novo modelo de comportamento do preço.

Além disso, o PLD Horário abre uma avenida de oportunidades para o setor elétrico. “O PLD horário pode impulsionar projetos de Internet das Coisas e Big Data no setor, ou permitir o replanejamento de turnos nas indústrias, em função do preço da energia para a fabricação”, vislumbra. 

Como está o cronograma de implantação do PLD horário? Conforme previsto, ele entrará em vigor no início do próximo ano, no dia 1º de janeiro de 2021?

Sim, o PLD Horário vai entrar em vigor a partir de 1º de janeiro. A data ficou estabelecida em 2019 (Portaria MME 301, de 31 de julho de 2019) e, recentemente, houve uma reunião da Comissão Permanente para Análise de Metodologias e Programas Computacionais do Setor Elétrico – CPAMP em que foi reforçada a permanência deste prazo. A CCEE está totalmente preparada para a implementação do modelo no início do próximo ano e tem trabalhado para garantir que o restante do mercado também esteja.

Estamos dentro da expectativa com relação às normas, aos processos e aos sistemas necessários para a adoção do PLD Horário e temos realizado encontros mensais com os nossos agentes reforçando as evoluções que alcançamos em cada uma das frentes. A divulgação dos resultados da operação sombra, que ocorrerá até dezembro de 2020, deve auxiliar as empresas na identificação dos impactos em seus negócios, possibilitando a adequação contratual ao novo modelo de comportamento do preço.

pld horarioTambém estamos capacitando o mercado para atuar com o novo modelo de precificação, oferecendo cursos virtuais totalmente gratuitos e realizando workshops com os associados das principais associações do setor. Agora, contamos com o apoio dos nossos agentes para fazermos essas oportunidades e informações se dispersarem por todo o mercado e dentro de todas as organizações. 

O PLD Horário representará um marco para o setor elétrico? Por quê?

O PLD Horário é uma das principais evoluções na formação de preços desde que o mercado de energia se abriu. Porque aumenta a previsibilidade do comportamento do PLD, na comparação com o cálculo semanal. Como os valores são calculados para cada hora do dia seguinte, é possível perceber mais rapidamente variações em fatores que os influenciam, como carga, temperatura e afluências. Isso ajuda no planejamento energético, na operação do sistema e nas relações comerciais do setor. Além disso, com preços mais aderentes às necessidades operativas do sistema, melhora-se o sinal econômico, incentivando respostas energéticas, comerciais e até financeiras mais adequadas.

A CCEE segue apoiando os seus agentes na transição de modelos e entende que previsibilidade e estabilidade nos mercados é fundamental. Um sinal de preço cada vez mais claro contribui para um ambiente de negócios mais produtivo.

 Quais as oportunidades que se abrem com o PLD horário? De novos negócios, por exemplo?

Entendemos que o PLD Horário abre uma avenida de oportunidades para o setor elétrico. Por exemplo, podem ser aprimoradas as condições comerciais da geração distribuída e de soluções para sistemas de armazenamento de energia. As consultorias podem oferecer novos serviços ao mercado, da mesma forma que segmentos como tecnologia e indústria podem ter novos produtos e hábitos.

O PLD horário pode impulsionar projetos de Internet das Coisas e Big Data no setor, ou permitir o replanejamento de turnos nas indústrias, em função do preço da energia para a fabricação. Além disso, a modalidade permite a criação de novos serviços de gestão da energia (eficiência e conservação energética) e novos produtos financeiros, atrelados ao preço horário. 

Alguns especialistas dizem que o PLD Horário deve acelerar projetos de autogeração e cogeração. Como?

O PLD Horário garante maior previsibilidade no comportamento de preços no setor, o que permite avaliar com mais clareza os cenários para a implantação de projetos de autoprodução e cogeração. Além disso, como esses agentes podem negociar excedentes de energia, o modelo pode viabilizar negociação de sobras em períodos do dia nos quais os preços sejam mais favoráveis. 

Fala-se de preços mais realistas para o mercado, com uma precificação próxima à operação e de maior transparência do cálculo do preço. Que outras vantagens o PLD Horário trará?

A adoção do PLD horário traz benefícios para o sistema e maior aderência do preço às novas dinâmicas do setor elétrico. A sua adoção aproxima os modelos de precificação da necessidade operativa do sistema, o que traz benefícios como: melhor representação da curva da carga, incentivo à resposta da demanda e possibilidade de criação de negócios, como o armazenamento de energia. 

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Quais são os impactos comerciais do PLD Horário?

A variação do PLD está sujeita às condições de clima e consumo de energia, entre outros aspectos – como sempre foi no cálculo semanal e o que se manterá na base horária. A exposição voluntária ao PLD deve ser tratada como uma estratégia individual de cada agente que atua no mercado, com seus riscos associados. Por outro lado, o efeito é muito positivo na abertura de novos produtos, novos modelos de contratos comerciais. A comercialização de energia vai se adaptar rapidamente e encontrar oportunidades relevantes de negócios a partir da vigência do PLD horário.

O PLD Horário beneficiará o consumidor final? Como?

O PLD horário não tem efeitos diretos para o consumidor final de baixa tensão, que está no mercado regulado, porque a contratação da energia para atender a esse segmento é feita pelas distribuidoras. Mas há, sim, a possibilidade de redução da tarifa de energia elétrica em função da perspectiva de redução dos encargos de serviço de sistema – resultado da maior proximidade do preço à operação; e melhor aproveitamento dos recursos energéticos, o que implica em menor custo de geração.

No caso das indústrias e comércios que consomem energia no mercado livre, os ganhos são mais diretos, com a possibilidade de criação de novos produtos pelas comercializadoras para atendê-los. Com uma lista cada vez maior de soluções à sua disposição, o consumidor ganha mais liberdade para escolher como comprar e gerenciar o seu fornecimento.