Por Redação em 25/11/2020

Em janeiro de 2021, após alguns anos de espera, o setor elétrico brasileiro deve virar uma chave importante para a modernização do setor: a mudança na forma de cálculo do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD). Utilizado como base para definir o valor da energia comercializada no mercado de curto prazo, o chamado Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) passará a ser apurado de hora em hora – e não mais semanalmente, como realizado hoje.

A expectativa do mercado é que essa mudança represente um avanço na formação de preços, ampliando a previsibilidade do custo da energia. Ao mesmo tempo em que contribui para ampliar a eficiência do setor elétrico, o PLD horário torna o mercado mais complexo – o que ainda tem gerado muitas dúvidas entre profissionais da área. Para facilitar o entendimento da mudança e seus impactos sobre o mercado de energia, a ENGIE promoverá, entre os dias 1 e 3 de dezembro, a Maratona PLD Horário.

No evento online, especialistas da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace) e da própria ENGIE explicarão o contexto e os desdobramentos da nova dinâmica. Entre os temas discutidos – em painéis a serem realizados das 9h às 11h nos três dias de programação – destaque para aspectos regulatórios envolvidos, impactos e produtos previstos e soluções oferecidas para atender a demanda por energia nesse cenário. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas neste link.

Oportunidades à vista

Quando o PLD passar a ter valores calculados para cada hora do dia seguinte, a partir de 1º de janeiro, será possível identificar mais rapidamente eventuais variações em faturas que influenciam o preço da energia no curto prazo – como o nível de armazenamento dos reservatórios das hidrelétricas, condições climatológicas e disponibilidade das usinas. As projeções mais próximas da realidade permitirão aos agentes do setor calibrar melhor suas operações, contratos e investimentos. 

O desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços tem sido apontado como um dos grandes ganhos decorrentes à precificação horária.  Em entrevista ao Além da Energia, o gerente executivo de Preços, Modelos e Estudos Energéticos da CCEE, Rodrigo Sacchi, destacou esse potencial de inovação da mudança. “O PLD horário pode impulsionar projetos de Internet das Coisas e Big Data no setor, ou permitir o replanejamento de turnos nas indústrias, em função do preço da energia para a fabricação”, afirmou.  Segundo ele, haverá espaço, ainda, para criação de novos serviços em gestão da energia e de soluções financeiras relacionadas. Confira a entrevista completa aqui.

Fase de testes

Para garantir confiabilidade ao novo modelo, a CCEE vem realizando, desde 2018, a chamada “operação sombra”, uma contabilização simulada, com dados atuais aplicados ao novo modelo, que tem como objetivo antecipar eventuais impactos da adoção da nova granularidade do preço. A serem divulgados no final deste ano, os resultados da operação sombra devem apoiar as empresas na identificação de consequências positivas e negativas da mudança – o que possibilitará adequações contratuais, por exemplo.


Você Sabia?

Atualmente, o PLD – ou o preço spot como também é chamado – valora a energia comercializada no mercado de curto prazo. Atualmente, é determinado toda semana, para cada patamar de carga e submercados: Norte, Nordeste, Sul e Sudeste/Centro-Oeste. O cálculo, divulgado semanalmente pela CCEE, tem como base o Custo Marginal de Operação (CMO), limitado aos valores máximos e mínimos definidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A partir de 1º janeiro de 2021, essa valoração passa a ser horária – apurada no dia anterior para cada hora do dia seguinte.

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