Por Redação em 12/11/2020

Em 2021, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) — que guia os preços da energia no curto prazo — passará a ter cálculo horário. A nova precificação, já em uso em alguns países desenvolvidos, deve aumentar a competitividade do setor, afirmou Talita Porto, vice-presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). A executiva participou do evento Brazil Windpower 2020.

Segundo a conselheira da CCEE, o novo PLD vai capturar melhor a variação da carga e da previsão eólica. Isso trará “um enorme ganho” para o setor. A executiva, no entanto, vê um grande desafio para o mercado livre de energia com o PLD horário: a captura do valor dessa mudança. O mercado livre é a modalidade em que o consumidor negocia diretamente com o produtor de energia. E seus preços têm forte ligação com o PLD.

“Quais são as novas demandas, como o mercado pode ofertar soluções e produtos para se tornar mais competitivo?”, questionou, acrescentando que a “granularidade do preço horário vai abrir oportunidade para novos produtos e tecnologias”.

“Com relação a novos produtos, eu diria que, basicamente, as comercializadoras vão preparar produtos que possam permitir a mitigação, a proteção das grandes variações de preço”, explicou. E acrescenta que, neste caso, podem surgir contratos que travem alguns parâmetros para dar alguma proteção ao gerador, que se adequem ao perfil de consumo.

Preço horário deve levar à sofisticação do setor de energia

“O aumento da participação de players capazes de fazer essa gestão de risco dos portfólios vai aumentar a competitividade do setor”, avaliou Porto.

Além disso, no médio e no longo prazo, ela vê o surgimento de novas tecnologias. E cita consulta pública da Aneel para projetos híbridos com objetivo de otimizar uso da rede.

Ricardo Suassuna, diretor de Relações Institucionais da Matrix Energia, vê o PLD como uma medida que leva a uma competitividade maior e necessidade de sofisticação maior do mercado. “Possivelmente, dentro de alguns anos a gente possa evoluir para a formação do custo marginal de operação não com o custo, mas com oferta”, exemplificou.

Já Cristopher Vlavianos, da Comerc Energia, ressaltou a importância de se conhecer melhor o mercado para gerar melhorias no setor. E que uma das formas de se fazer isso é por meio dos dados do PLD horário, por exemplo.

“É aquele conceito básico: o que você não mede, você não consegue gerenciar. O que você começa a medir e o que você começa a estudar e avaliar, seja preço horário, seja a questão da demanda, ou o impacto do PLD no preço futuro da energia, o mercado passou a ser mais aderente a essas questões”, concluiu.