Por Redação em 14/09/2020

A mudança no cálculo do preço spot do mercado de energia altera fortemente a definição deste valor. Antes semanal, o chamado Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) será calculado a cada hora e o efeito no preço final vai depender da região. Essa mudança vai demandar adaptação dos investidores, afirmaram especialistas do centro de estudos Instituto Acende Brasil à Reuters

Segundo Claudio Sales, presidente do Acende Brasil, o objetivo com a mudança é que a precificação reflita a condição de produção da energia, que oscila quando há aumento da demanda e/ou queda na produção.

“É importante gerar uma conscientização sobre a necessidade de os agentes começarem a se planejar”, disse Sales, acrescentando, ainda, que os impactos financeiros nas empresas do setor podem ser significativos.

Novo preço spot será referência para mercado livre.

Este ano, o cálculo a cada hora servirá para orientar o acionamento de usinas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Já em 2021, esse valor vai balizar a contabilização e a liquidação das operações no mercado livre de energia. Neste tipo de mercado, os usuários negociam diretamente com os geradores de energia — o que pode trazer uma economia significativa.

Há quem tema que a mudança gere prejuízo às usinas eólicas, uma vez que elas geram mais durante a noite, momento de menor demanda. Considerando que as usinas precisam comprar energia a preços spot caso gerem menos do que o combinado em contrato, as eólicas poderiam ver seus custos subir.

No entanto, o Acende Brasil analisou dados de testes da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e afirma que não há diferenças no preço diurno e noturno em relação ao modelo anterior. As diferenças mais relevantes foram encontradas nas comparações entre as regiões brasileiras.

Setor ganha plataforma on-line para debate

Contudo, a possibilidade de ter de comprar energia em momentos de PLD elevado pode, sim, comprometer o faturamento das geradoras em momentos de valor mais baixo.

Segundo Richard Hochstetler, diretor de assuntos econômicos e regulatórios do Acende Brasil, a mudança tem potencial de reduzir preços no Sul e no Sudeste. Entretanto, as contas devem ficar mais caras no Nordeste — onde se concentram usinas eólicas e parques solares — e no Norte.

Para se ter uma ideia da oscilação do PLD, segundo cálculos da CCEE, a média de valores em agosto foi de R$ 68,28 na Região Nordeste e de R$ 85,15 nas demais regiões. No entanto, em janeiro, esse valor era bem superior: R$ 327,22 no norte e no nordeste, e R$ 327,38 no resto do país.