Por Redação em 29/03/2021

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou recentemente o financiamento de R$ 23,4 milhões para dois projetos de biogás, nos estados de Goiás e Paraná. Os recursos virão do Fundo Clima (subprograma de Energias Renováveis, que conta com condições facilitadas para a implementação de iniciativas do gênero).

Os projetos contemplados são o da Albioma Codora, que vai processar 1,25 milhão de toneladas de vinhaça (resíduo do processamento de cana-de-açúcar) para gerar cerca de 16 GWh, equivalente ao consumo de quase 8 mil famílias, e o da Cooeperativa Agroindustrial Consolata (Copacol), que alimentará uma termoelétrica com resíduos agropecuários (mais especificamente, derivados da suinocultura). As iniciativas receberão, respectivamente, crédito de R$ 13,3 milhões e R$ 10,1 milhões. 

Biogás: fonte de energia renovável e estímulo à economia circular

O biogás é um gás gerado a partir da decomposição de matérias orgânicas, de origem vegetal ou animal. O biocombustível é composto por vários gases, sendo que o principal é o metano. Ele pode  gerar energia elétrica, térmica ou, até mesmo, combustível veicular – para isso, no entanto, as usinas precisam de infraestrutura (gasodutos) que levem o combustível até o local de abastecimento. 

Além de ser uma alternativa aos combustíveis fósseis, que são responsáveis por grande parte das emissões de gases do efeito estufa, o biogás é uma fonte de energia renovável, capaz de resolver um sério problema urbano: a sobrecarga dos aterros sanitários.

Essa é uma questão bastante séria no país. Conforme dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), a quantidade de resíduos sólidos urbanos destinados inadequadamente no Brasil aumentou 16% na última década. 

Isso significa que mais pessoas ficam expostas a doenças decorrentes da falta de infraestrutura de saneamento. Os chamados “lixões” são causadores de diversos transtornos. Do odor desagradável e acúmulo de insetos a problemas como infiltração do chorume no solo, que pode atingir o lençol freático e causar a contaminação da água, os aterros representam um grande problema para a saúde pública. 

Por isso, o biogás é uma alternativa de geração de energia muito importante. Além de fornecer o biocombustível para diversas aplicações, também reduz o lixo urbano, contribuindo para a qualidade de vida da população. 

Essa é a base da economia circular e do futuro sustentável. Ou seja, o resíduo se transforma em insumo, gerando renda para as empresas, energia para a comunidade e, ainda, deixando de poluir o ambiente. 

Nova Lei do Gás deve impulsionar o biogás

O cenário para o biogás em 2021 é considerado promissor, pois a quebra do monopólio da Petrobrás nos gasodutos, a esperada aprovação do Novo Mercado do Gás pelo Congresso Nacional e o fortalecimento da agenda ESG (sigla em inglês para os aspectos ambiental, social e governança) serão fatores que impulsionarão os projetos de geração. 

Além disso, o recém-aprovado marco do saneamento também é favorável. Afinal, o biogás gerado nos aterros sanitários e nas estações de tratamento de esgotos produz o biometano.

A Associação Brasileira do Biogás (Abiogás) projeta um aumento de 10% da geração de biometano em 2021. Esse ritmo de crescimento fica um pouco abaixo do ano passado (de 14%, apesar da pandemia). O volume está muito aquém do potencial brasileiro. Segundo a entidade, o país pode produzir 120 milhões de m³ por dia, tendo em vista a quantidade de resíduos gerados. 

Para alcançar a produção diária de 32 milhões de m³ em 2030, a Abiogás calcula que seriam necessárias cerca de mil plantas de biometano. Isso totalizaria uma capacidade instalada de 30 mil metros cúbicos/dia. A estimativa de investimento, para isso, é de R$ 50 bilhões.