Por Redação em 03/03/2021

Livia Godoy

A origem da energia consumida por uma empresa constitui um fator determinante para definir as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) decorrentes de suas operações. Por isso, a busca por garantir fontes renováveis, bem como por mecanismos de compensação ou neutralização vem crescendo no Brasil e no mundo. Na entrevista a seguir, a analista de Inteligência de Mercado e Marketing da ENGIE, Lívia Godoy, comenta esse movimento e explica como as empresas podem se beneficiar de soluções oferecidas para descarbonização.  

Como vocês, especialistas que acompanham o mercado de energia há muitos anos, têm percebido a evolução do interesse das empresas por descarbonização? 

É perceptível o crescimento da demanda por soluções de descarbonização nos últimos anos. Podemos dizer que, no início, era bastante motivado por pressão externa. Desde o Acordo de Paris, em 2015, empresas com matriz europeia, por exemplo, começaram a cobrar que filiais, fixadas em outros países, estabelecessem metas para emissões. Outras empresas passaram a ter demandas do mercado, investidores ou índices nas quais estão inseridas, nos quais os compromissos com a redução da pegada de carbono passaram a ser mais valorizados. Além disso, o consumidor final passou a querer entender, cada vez mais, a origem e o impacto socioambiental daquilo que consome. A energia está presente em praticamente todas as cadeias produtivas e influencia diretamente a pegada de carbono de uma empresa. Todos esses fatores, que se somam a outros na busca por boas práticas em ESG [Environmental, Social and Governance – ou, em português, Ambiental, Social e Governança] tem gerado o crescimento de demanda por soluções de descarbonização. 

Quando as empresas estão começando a trilhar esse caminho, quais as possibilidades? 

Se a empresa já integra o Mercado Livre de Energia, uma primeira opção seria adquirir energia de fonte renovável, por meio de contratos que asseguram essa origem – os chamados ENGIE-RECs. Existem, no entanto, outras soluções disponíveis para empresas que não estão no ambiente livre de contratação – eventualmente porque não se enquadram nos limites regulatórios, por exemplo. Essas empresas podem adquirir produtos de descarbonização, como os certificados de energia renovável (I-RECs) e os créditos de carbono. No caso da aquisição de Créditos de Carbono, a elaboração prévia do Inventário de Emissões de GEE é importante para que a empresa quantifique o volume de emissões a ser compensado. Já se a empresa ainda não elabora Inventário, uma possibilidade é adquirir energia renovável ou certificados, relativo ao seu consumo de energia, a fim de iniciar a descarbonização.  

O Mercado Livre de Energia prevê a aquisição da chamada energia incentivada. Você poderia explicar a relação dessa operação com a origem da energia? 

A energia incentivada é um termo regulatório para denominar um subsídio que foi dado às chamadas fontes alternativas. Entre essas fontes, estão as renováveis – eólica, solar, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas –, e outras, como a cogeração. Ao adquirir energia incentivada, sem o vínculo com uma usina específica, não há como assegurar a origem da energia. Para isso, é necessário um instrumento de rastreamento, que se dá via certificação da energia renovável ou por meio de uma cadeia de custódia ou controle do próprio gerador. Sem esse rastreamento não há como comprovar que a energia consumida tem o que chamamos de “atributo renovável”, ou seja, o vínculo com a fonte de emissão zero. Na ENGIE, para assegurar a fonte, oferecemos aos clientes o contrato de energia renovável (ENGIE-REC), que inclui o rastreamento, e os certificados, conhecidos como I-REC.  

Ao adquirir essas soluções, quais outros benefícios a empresa cliente agrega? 

Além de ganhar uma vantagem competitiva importante ao descarbonizar suas operações, essas empresas passam a contribuir com o desenvolvimento sustentável de diversas comunidades do país. Isso porque as usinas da ENGIE que geram a energia renovável consumida pela empresa desenvolvem uma série de ações sociais e ambientais nas regiões onde estão inseridas. Por essa razão, costumamos dizer que nossos clientes se integram a uma cadeia de valor que tem na responsabilidade socioambiental seu principal diferencial.