Por Redação em 19/02/2021

Aos quinze anos, Flávia Teixeira fugia de casa para participar de ações do Greenpeace. “Já tinha um olhar para o ativismo, para as questões do meio ambiente, das populações tradicionais e das mulheres”, afirma a gerente de Meio Ambiente, Responsabilidade Social Corporativa e Transição Energética da ENGIE.

Após se formar em direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Flavia passou vinte anos no poder público, “um ambiente mais receptivo para mulheres , do que um ambiente de engenharia”, lembra.

Depois, passou quatro anos trabalhando em uma empresa de engenharia de energia. “Foi onde pela primeira vez comecei a sentir as questões de gênero”, recorda. “Eu era a ecochata”, brinca. “Sempre foi um grande desafio trazer a questão da sustentabilidade para a engenharia de projetos”, afirma, com a experiência de quem atua há mais de vinte anos na área.

“Ainda tem quem acredite que a sustentabilidade é um entrave para o desenvolvimento econômico. Estamos em um momento de transição importante, de enxergar que a sustentabilidade é uma oportunidade”, explica, acrescentando que a ENGIE é uma empresa ícone.

“O Grupo entende a sustentabilidade como um fator determinante, um diferencial da nossa atuação”, reforça. “A ENGIE é uma empresa bastante respeitosa, que promove um espírito de colaboração muito respeitoso sempre. Então a gente sente menos isso do que em outras empresas.”

É preciso trabalhar os chamados vieses inconscientes

Para Flavia, ainda existe uma questão numérica, da menor presença feminina nas empresas. “Há também a maior presença em determinados temas, muitas vezes por opções profissionais”.

“Só agora, em 2020, tivemos a primeira mulher negra e brasileira a assumir um cargo executivo no Brasil”, mencionando Monalisa Gomes, CEO da Fronius Brasil, subsidiária da multinacional austríaca especializada em equipamentos e soluções para energia solar.

“É importante abrir espaço para mulheres e trabalhar os chamados vieses inconscientes, os preconceitos que adquirimos, ao longo dos anos, de experiências anteriores”, explica.

Preocupa Flavia a abordagem que distingue as pessoas. “É preciso cuidado quando a gente fala sobre diversidade, porque dependendo de como a gente se coloca, a gente acaba se segregando mais, a gente tá sempre se distinguindo cada vez mais”, afirma. “Estamos em um mundo de difícil leitura. É preciso estar sempre atento”, afirma.

Transição Justa

Flavia acredita que a resiliência do mercado e das empresas, no médio e longo prazo está atrelada às questões de diversidade. “São novas lentes que surgem. Diversidade é um diferencial de sobrevivência. As empresas precisam ter foco nos seus negócios principais, mas precisam perceber as mudanças que estão acontecendo nos mais diversos cenários”, conclui.

Não à toa, um dos temas preferidos de Flavia, hoje, é a transição justa. “Transição Justa é garantir que a transição para uma economia com impacto neutro no clima se faça de modo justo e sem deixar ninguém para trás. Corresponde aos efeitos económicos e sociais da transição”, explica.