Por Redação em 19/01/2021

Adotar práticas ESG, ou seja, de respeito a questões ambientais, sociais e de governança, é importante para a sustentabilidade dos negócios. Essa é a opinião de alguns executivos que participaram do evento Itaú Amazônia este mês.

Um deles é Florian Bartunek, sócio fundador da Constellation Asset Management. Segundo o Valor Investe, Bartunek defende que “sem esses fatores na cultura da empresa, a chance de não ser sustentável, de ter problemas com stakeholders, de perder clientes, ser disruptado ou de ter um alto nível de turn over aumentou muito”. Portanto, “empresas que não adotam a cultura ESG têm um risco maior e portanto não são um bom investimento”.

“As empresas que não se atentarem ao ESG, provavelmente, vão ser atropeladas”, resume Fabio Alperowitch, sócio fundador da Fama Investimentos.

Mudança em horizonte de investimento favorece ESG

E Renato Eid Tucci, chefe da área de estratégia beta e integração ESG da Itaú Asset Management, lembra que a pressão sobre as empresas vem de dois lados. Por um lado, há os consumidores e, por outro, investidores que, cada vez mais, buscam aplicar seus recursos apenas em empresas com boas práticas.

Um exemplo do crescente interesse dos investidores brasileiros pelo ESG é a B3, a Bolsa de São Paulo. Em 2020, ela lançou seu terceiro índice de empresas com boas práticas nessas áreas. Além disso, no início do ano, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) lançou um guia com recomendações para as gestoras que querem adotar práticas ESG.

Ele acrescentou, ainda, que a mudança no prazo dos investimentos no Brasil acaba sendo um fator positivo levando em direção ao ESG. Isso porque, segundo Tucci, o processo de investimento vem sendo alongado. Assim, “para a maioria dos investidores brasileiros isso cada vez mais está se tornando realidade e olhar as questões ESG dentro desse contexto faz todo o sentido”.

ESG não se limita a iniciativas de sustentabilidade, diz executivo

Alperowitch, contudo, ressalvou que o ESG vai além das iniciativas sustentáveis e deve fazer parte de como as empresas tomam decisões. Assim, “as empresas que integram de fato o ESG contemplam todos os stakeholder, como colaboradores, fornecedores, clientes, ambiente, concorrentes e imprensa, e não só os acionistas nos processos de decisão”.

O sócio fundador da Fama também defendeu que se derrubem alguns mitos sobre investir em ESG. O primeiro é que este é um “inimigo do retorno”. “Muito pelo contrário. Existem mais de 2 mil estudos acadêmicos que mostram que os fatores trazem mais retornos e são mitigadores de riscos”, afirmou.

O segundo é o de a sustentabilidade se restringe a empresas “grandes e cheias de dinheiro”. “qualquer empresa, independentemente de tamanho, pode trazer um debate sobre questões de racismo ou inclusão LGBT, por exemplo”, explicou.

Por fim, ele avaliou que as novas gerações vão aumentar a pressão pela adoção da agenda ESG. “A nova geração com poder discricionário de consumo vai olhar para as marcas e pensar: essa marca tem preocupação com quantidade de carbono que emite versus a outra que não tem, qual vou comprar? Ou será que vou trabalhar em um lugar onde meu amigo LGBT não tem espaço?”, disse.