Por Redação em 04/09/2020

A transição energética para uma economia de baixo carbono é um tema que está na ordem do dia. Transição pressupõe passagem de uma condição a outra, ou evolução. Quando falamos em transição energética, portanto, tratamos de um novo estado de coisas, com um olhar mais amplo e sistêmico para a sustentabilidade ambiental e social.

“A transição energética é muito mais uma tomada de consciência sobre o atual modelo de produção, consumo e reaproveitamento da matéria e energia, e sobre a influência disso nas mudanças climáticas. Precisamos refletir sobre a origem e a eficiência energética de toda a cadeia de valor dos produtos e serviços que cada um de nós, cidadãos, empresas e instituições consumimos, aí incluindo o pós-consumo”, afirma a gerente de Meio Ambiente, Responsabilidade Social Corporativa e Transição Energética da ENGIE, Flávia Teixeira.

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O que é transição energética?

Transição energética engloba não só a geração e consumo de energia de baixo carbono, como também a forma como otimizamos a utilização de bens e serviços. Passa também por mudanças na estrutura social, econômica, política e cultural, e pressupõe o reconhecimento de que é insustentável, sob todos os aspectos, inclusive econômico, continuar consumindo recursos naturais na velocidade atual.

Por exemplo, há uma grande oportunidade na área de eficiência energética. Há sempre espaço para a adoção de alternativas mais sustentáveis. Empresas e governos devem buscar equipamentos mais eficientes, racionalizar o uso do solo e da água, acelerar a economia circular. Hidrelétricas e sistemas de transmissão e distribuição de energia podem ser modernizados. E por aí vai.

Transição energética no Brasil

A produção e consumo de energia a partir de fontes renováveis é um aspecto importante da transição energética. Mas o acesso à energia, idem. Por isso se fala em transição justa. Pois nem sempre é possível equilibrar o sistema e aumentar o acesso à energia somente com fontes renováveis. Muitas vezes é preciso um combustível intermediário, como o gás natural, que é um combustível de origem fóssil, mas com menor emissão de CO2 se comparado com outros combustíveis fósseis. Segundo o Banco Mundial, ainda existem 840 milhões de pessoas sem a acesso à energia elétrica no mundo.

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No caso do Brasil, a universalização da energia está bem avançada, mas ainda há populações isoladas que dependem de térmicas locais ou outras soluções, representando menos de 1% da carga total do sistema. Contudo, o país já tem um sistema energético majoritariamente renovável. Prova disso é o relatório recente sobre o bom desempenho brasileiro com relação ao ODS-7, que trata de energia limpa. E isso se reflete na baixa participação do setor elétrico no total das emissões brasileiras de gases do efeito estufa (GEE) . Enquanto no mundo, a geração de energia, muito concentrada em fontes fósseis, é responsável por 25% das emissões, no Brasil esse percentual é inferior a 3 %.

“No exterior, boa parte das emissões vem da geração de energia devido ao peso das fontes fósseis na matriz. No Brasil, isso não acontece, pois a matriz já é bastante renovável. Por isso precisamos avançar na transição como um todo, da produção ao consumo de energia. O debate aqui para reduzir as emissões precisa ser aprofundado para além da energia”, pontua o especialista em Descarbonização da Área de Transição Energética da ENGIE, David Costa.

Por isso, a transição energética para uma economia de baixo carbono no Brasil deve passar, inclusive, por mudanças nas áreas de transporte, uso do solo e aproveitamento de resíduos. No transporte, essencialmente rodoviário, devemos avaliar alternativas como a eletrificação de ônibus e caminhões, o uso de combustíveis renováveis, como o biogás, o biometano e o etanol.

“No caso do etanol, o grande incentivador de uso ainda é o preço. Mas a transição energética deve ir além disso. Deve ser o reconhecimento de toda uma cadeia de consumo e suprimento por trás desse combustível”, afirma o gerente de Meio Ambiente e Responsabilidade Social da linha de negócios de Energia da ENGIE, José Magri.

Transição energética em outros segmentos

Na gestão de cidades, estudos estimam que a totalidade dos resíduos sólidos urbanos gerados pelo Brasil seria capaz de produzir energia elétrica capaz de atender ao correspondente a 3% do consumo. Com cerca de metade dos resíduos composta de lixo orgânico, o Brasil é o país com maior potencial para a produção de biogás, pois além dos de origem urbana, conta com os gerados pela agroindústria.

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O desafio, portanto, reside na integração entre os setores produtivos e com o poder público, na construção de políticas transversais que viabilizem a transição justa, conciliando a inovação tecnológica e atendendo as demandas sociais.

Sendo as mudanças climáticas o maior risco global segundo o Fórum Econômico Mundial, torna-se premente a transição energética para a economia de baixo carbono. Para além da geração a partir de fontes renováveis, impõe-se uma visão mais ampla e sistêmica, visando à máxima eficiência no aproveitamento dos recursos, com universalização do acesso e diversificação da matriz.

No entanto, a transição energética para uma economia de baixo carbono não ocorre do dia para a noite. Novos arranjos, marcos regulatórios e mecanismos de mercado estão surgindo gradativamente para dar os incentivos corretos para que a transição ocorra. Um deles é a precificação do carbono. Embora não seja uma solução para tudo, esse mecanismo pode indicar o caminho a seguir.

A ENGIE firmou em seu propósito a transição energética. Maior empresa privada de energia do Brasil e detentora da mais extensa rede de transporte de gás natural do país, a empresa produz a maior parte da sua energia através de fontes renováveis e oferece soluções às empresas para a produção da própria energia, gestão e redução do consumo energético e de gás, além de produtos voltados para a descarbonização, bem como atua para deixar as cidades mais inteligentes.

Ouça nosso podcast sobre transição energética: